quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Teu Nome


O teu nome é magia.
Nem me perguntes a razão.
O teu nome por toda a parte. A intercalar cada uma destas palavras. Dissimulado. Pequeno. Diminuto. À espera de ser encontrado.
A tua pessoa. Sem interpretações pretensiosas. Não és tu quem aqui está. São todas as mulheres. E nenhuma.
É apenas a vontade de terminar uma frase marcante. Como ferro para gado, no dorso das ambições que montei. Como selo de lacre, nas cartas que não cheguei a escrever.
O teu olhar. O teu olhar distante num cenário próximo. A conspirar o acto seguinte. A velar conjuras. A domar o meu. O meu olhar que se detém inevitavelmente na tua boca.
A tua boca. Que oculta um sorriso enigmático. Trancado. Tranquilo. Que fuma serenamente cigarros. Que expulsa lentamente as palavras.

As palavras.
Se me fosses totalmente indiferente as palavras não se atropelariam. A formar-se na minha cabeça, quando penso em ti. À saída da minha boca, quando tento falar-te nos olhos. Na ponta dos meus dedos, quando ouso explicar o teu corpo.
O teu corpo. Do qual me interessa apenas a forma, não os significados. Quando me cruzo contigo nos bastidores. Do teu decote.
O decote que roça os meus lábios. Ou o inverso. Eu tão perdido que já não sei. A enveredar por esse qualquer caminho. De um só sentido. Que conjuga todos os meus cinco. Mais o outro teu. Esse que me instiga as ideias.
As ideias. A permutarem de lugar na minha cabeça. Sem me pedirem permissão. Eu a esperar que se faça luz.
Alvorada. Despeço-me da tua cama. Acordamos na minha. Desperto ao teu lado. Levanto-me sozinho.
E volto a dizer o teu nome.
Pelas noites que parei à tua porta. Mas segui caminho. Pelas vezes que marquei o teu número. E me arrependi. Por esta caixa vazia que guardo. Cheia com as tuas recordações.

Não me perguntes a razão.
Mas o teu nome é magia.
E o teu nome é paixão.

Porque o teu nome é mulher.

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